Ídolos do Esporte #7 - Aurélio Miguel






Aurélio Fernández Miguel (São Paulo, 10 de março de 1964) é um ex-judoca brasileiro.





Foi campeão olímpico na categoria meio-pesado (Seul 1988), medalha de bronze olímpica (Atlanta 1996); campeão mundial (1987); medalha de ouro em Jogos Pan-americanos (Indianápolis, 1987); campeão pan-americano (1982, 1985, 1986, 1988 e 1992); campeão mundial júnior (1983); e campeão mundial universitário (1984).





Atualmente é vereador da Câmara Municipal de São Paulo e em 2006 se candidatou a deputado federal pelo PL.


O primeiro título internacional de Aurélio Miguel foi conquistado na Finlândia em 82. Ficou com o segundo lugar por equipes no Campeonato Mundial Universitário e, logo em seguida no Chile, tornou-se pela primeira vez campeão pan-americano adulto no meio-pesado. Foi neste ano que o judoca cumpriu seu primeiro estágio no Japão (30 dias).

No ano seguinte, em Porto Rico, Aurélio Miguel sagrou-se campeão mundial na categoria júnior. Foi o vice nos Jogos Pan-americanos de Caracas, campeão sul-americano e considerado pelo Comitê Olímpico Brasileiro o melhor judoca do país em 83. Encerrou a temporada com mais 30 dias de treinos no Japão.Em 84 Aurélio Miguel descobre o Circuito Europeu, fato que teria incrível importância no desenvolvimento de seu judô e de diversos outros atletas do Brasil. Todos os anos, em diversos países europeus durante o inverno (janeiro, fevereiro e março), são realizados campeonatos de judô reunindo atletas de todos os continentes. Aurélio foi o primeiro brasileiro a participar deste "tour". Não são competições oficiais, mas são programadas para que um atleta (ou equipe) possa contar com um torneio a cada fina de semana sem a necessidade de grandes locomoções.

Em 84 Aurélio Miguel ganhou quatro medalhas de bronze no Circuito (Hungria, Tchecoeslováquia, Alemanha e Hungria), foi vice na Inglaterra e campeão na Bélgica. Naquele mesmo ano enfrentou 60 dias de estágio no Japão. Ainda naquele ano Aurélio conquistou mais um título mundial: na França, venceu o Mundial Universitário no meio pesado, além de ficar em terceiro na categoria absoluto. Foi eleito o melhor atleta do ano pelo COB, além de outros títulos internacionais, nacionais e regionais. Por questões politicas com a Confederação Brasileira de Judô, foi cortado da equipe olímpica que participou dos Jogos de Los Angeles.

No ano seguinte Aurélio Miguel foi mais econômico em suas conquistas. Mesmo assim, venceu o Pan-americano em Cuba, foi terceiro na Copa do Mundo da França, vice nos Jogos Mundiais Universitários de Kobe (Japão) na categoria meio-pesado e terceiro no absoluto da competição, além dos títulos regionais e nacionais. Passou 45 dias treinando no Japão.

Em 86 o judoca estagiou três meses no Japão na Universidade de Budo. Conquistou a terceira colocação na importante Copa Jigoro Kano naquele país. Campeão Brasileiro universitário no meio-pesado e vice no absoluto, contundiu-se, ficando fora do Mundial Universitário, disputado em São Bernardo do Campo (SP). Ficou algum tempo parado após sofrer uma cirurgia no ombro direito.

Depois de conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 87 (Indianápolis - EUA), Aurélio Miguel ficou em terceiro no Mundial de Essen (Alemanha). No mesmo ano venceu a tradicional Copa Ramón Rodrigues, disputada em Cuba. Em 87 Aurélio não foi ao Japão, depois de cinco anos consecutivos de estágios naquele país.

A maior conquista de Aurélio Miguel e do judô brasileiro aconteceu em 88, nos Jogos Olímpicos de Seul. Venceu na luta final da categoria meio-pesado ao alemão Marc Meilling, ficando com a medalha de ouro olímpica. Naquele mesmo ano ele havia conquistado três medalhas de ouro no Circuito Europeu (Bulgária, Alemanha e Hungria), uma de prata (Paris), além de vencer o Pan-americano na Argentina, o Torneio Internacional de Leonding (Áustria) e ficar em terceiro em Tblisi (então União Soviética). Estagiou 30 dias no Japão antes dos Jogos Olímpicos.

Depois de se afastar em 89 das competições oficiais por divergências com a direção da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Aurélio, com intermediação da Secretaria de Esportes da Presidência da República, passou, em 91, a negociar sua volta aos tatames. A principio descartou qualquer possibilidade de acordo, mas curvou-se aos argumentos apresentados por Bernard Rajzman, então Secretário. Sonhando em dar seqüência a sua vitoriosa carreira, aproveitou para apresentar uma série de reivindicações que beneficiassem a maioria dos judocas brasileiros.

Depois de muitas reuniões e discussões, o acordo foi fechado no início de 92. O judô brasileiro ganhou uma seletiva justa para a formação de sua equipe olímpica, fato até então inimaginável para judocas. A volta de Aurélio Miguel e de seus companheiros de luta às atividades internacionais pôde ser sentida nas Olimpíadas de Barcelona, mesmo com os atletas estando fora de suas melhores condições físicas. Um deles, Rogério Sampaio, foi ouro na categoria meio-leve.

Em Barcelona, terra de seu pai, Aurélio Miguel não foi bem. Já sentia os problemas que culminariam com uma cirurgia no ombro esquerdo, em novembro de 92. De volta às competições internacionais, sagrou-se vice-campeão mundial em Hamilton (Canadá), em setembro de 93. Em 94 iniciou uma forte preparação para o futuro, passando até por uma cirurgia no joelho esquerdo para sanar uma lesão que o incomodava há anos.

Já recuperado, adiou o sonho de conquistar o único título oficial que ainda não possui - o do Campeonato Mundial - e não foi à disputa no Japão em outubro de 95. O único obstáculo que o atleta enfrentava era a falta de patrocínio. Casado e com dois filhos, o judoca precisava de apoio para seguir treinando. Com o apoio da Embratel, Aurélio partiu com tudo em busca do sonho maior: ganhar o bicampeonato olímpico em Atlanta. Dedicou-se como nunca aos treinos. Perdeu quase 20 quilos para enquadrar-se na sua categoria de peso (até 95 quilos). Viajou para a Europa, "internou-se" por mais de 30 dias no Japão, onde sempre buscou inspiração para suas conquistas. Desembarcou em Atlanta com o estigma de vencedor.
"Em uma Olimpíada, ganhar bronze ou ouro significa muito. É apenas uma questão de detalhes", diz sempre Aurélio Miguel. Quis o destino que o campeão de Seul subisse novamente ao pódio, desta vez para colocar no peito a medalha de bronze. E como ele comemorou essa conquista! Incentivado pelo bronze, o atleta se colocou diante de novo objetivo: conquistar em Paris, o título do Campeonato Mundial, o único importante que ainda não conseguiu. "Quero fechar o 'Grand Slam'. Só falta o Mundial", avisou na ocasião. Em outubro de 97, quase atingiu a glória proposta. Lutando como um garoto, chegou à disputa pela medalha de ouro. Ficou com a de prata, inconsolável diante da atitude da arbitragem na luta final. Seu adversário, o polonês Pawel Nastula usou o judô negativo, fugindo do combate o tempo todo. "Agiu assim, contrariando o que determina a Federação Internacinal de Judô e não foi punido pela arbitragem. Eu, não tenho nenhuma dúvida, lutei melhor que ele" desabafou Aurélio após colocar no peito a terceira medalha que conquistou em um Mundial de três que participou.

O judoca não desistiu. Houve mudanças nas regras e sua categoria passou a ser até 100 quilos. Agora, o judoca enfrenta verdadeiros gigantes. No Mundial de 99, na Inglaterra, após um tempo sem preparação adequada, Aurélio Miguel não se apresentou bem. Colocou então como seu objetivo principal batalhar pela segunda medalha olímpica de ouro. Passou a treinar como um touro. Já havia programado viagens e competições. Nem o fim de seu casamento depois de mais de dez anos, impediu que seu trabalho perdesse ritmo. Mas outra contusão quase colocou um ponto final em sua carreira. No dia 15 de fevereiro de 2000, no Hospital Albert Eisntein, Aurélio enfrentava delicada cirurgia no joelho direito. Sob os cuidados da equipe do ortopedista Wagner Castropil - judoca companheiro no levante de 89 e da seleção olímpica de 92 - entregou-se a um trabalho intenso de recuperação.

Depois de competir muitos anos por São Caetano do Sul (SP), Aurélio passou a lutar em 99 pelo Rio de Janeiro, competindo pelo CR Flamengo. Com o apoio de Prefeitura, da R9 e do clube carioca, contou com as condições para se recuperar da cirurgia em tempo recorde. Entrou para as seletivas de agosto de 2000 em boas condições de fôlego e psicológicas. Entretanto, não teve o tempo que desejava para aprimorar sua condição técnica e física. Enfrentou na briga por uma vaga na equipe olímpica a cinco judocas seus conhecidos: Joseph Guilherme, Marcelo Figueiredo, Daniel Dell'Aquila, Mário Sabino e Alex Mattos. 
"Quero ser bicampeão olímpico. Depois vou em busca daquela medalha que ainda não consegui, a única: a de campeão mundial", disse na ocasião. Mas Aurélio não conseguiu a vaga que acabou com o bauruense Mário Sabino.

Após as mudanças ocorridas na CBJ em 2001, com a saída da família Mamede do poder, Aurélio Miguel traçou novos planos para sua vida. Deixou o tatame, mas não abandonou a luta. Sua nova área de combate é a política. O campeão olímpico decidiu seguir lutando pelo esporte através da política. Já em 2002 foi candidato à deputado federal pelo PPS. Não foi eleito, mas somou importantes experiências. Em 2004, decidi disputar uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo. Inscrito pelo Partido Liberal (PL), foi eleito com 38.419 votos, sendo o 26º mais votado dos 55 vereadores escolhidos. 
"Continuo o mesmo. Estou determinado a trabalhar pela saúde, educação e esporte. Creio que esse é o caminho para se construir uma sociedade mais justa e formar cidadãos", declarou o vereador com mandato até 2008.

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