BMG, o dono da bola





As três letras em cor  laranja que formam o logotipo do BMG se tornaram, para o torcedor atento, mais familiares que muitos escudos de clubes. Não existe outra empresa investindo tanto em patrocínios no esporte brasileiro quanto o banco mineiro.

São 38 contratos com equipes de futebol, vôlei e automobilismo ou com atletas que receberam dinheiro da instituição nos últimos dois anos.

Foi maneira de aparecer no noticiário de forma positiva. A primeira vez que o grande público ouviu falar no BMG foi em 2005, quando esteve envolvido como fonte de financiamento no esquema do mensalão no governo federal.

Dos 20 times que disputaram a Série A do Brasileirão deste ano, a marca do conglomerado estava em seis: São Paulo, Flamengo, Atlético-MG, Cruzeiro, Atlético-GO e Grêmio-PP. Dos quatro que conseguiram acesso pela Série B, o banco dá dinheiro a Coritiba e América-MG, além de já ter  patrocinado o Bahia.

Ainda há verba disponível para o futebol feminino do Santos e clubes de (muito) menos expressão. O BMG é o novo mecenas do esporte nacional.

De São Paulo a Ceilândia
Como instituição bancária, o negócio do BMG é empréstimo consignado, aquele descontado nas folhas de pagamento. Mas nos últimos dois anos, a empresa virou a maior patrocinadora do futebol. Gastou a rodo, investindo em gigantes, como São Paulo e Flamengo, e em times de pouca visibilidade, como o Ceilândia, campeão do Distrito Federal.

O acordo com o Sete de Junho, da  cidade de Tobias Barreto, no Sergipe, também chama a atenção. Durante a disputa do campeonato estadual de 2010, mensalmente pingaram na conta do clube R$ 150 mil. Para um time fundado em 1983 e sem título algum no currículo, chega a ser uma fortuna.

"Um dos nossos diretores é dono de financeira e intermediou o acordo. É uma ajuda gigantesca para nós", garante o fundador da agremiação sergipana, Miguel Alves da Silva.

É uma história que vai além da fronteira sergipana e se espalha por todas as regiões. Onde tem equipe, mesmo que pequena, precisando de ajuda, o BMG está lá. "Estamos otimistas de  ter essa marca no nosso uniforme em 2011. Seria a salvação", espera Fabiano Jerônimo, presidente do Atlético Tricordiano, que vai disputar a Terceirona do futebol mineiro.

É a mesma esperança pela qual já passaram (ou passam) Guarany-RS, Brasil de Pelotas, Ceilândia, Nacional-AM, Mamoré, URT e Botafogo-SP, só para ficar em alguns exemplos.

Rivais / O banco pertence a Ricardo Guimarães e, segundo a demonstração de fluxo de caixa, teve receita de R$ 1,17 bilhão até o final de setembro de 2010. Fanático pelo Atlético-MG, o empresário é credor de R$ 94 milhões em empréstimos pessoais feitos ao Galo.

O que na estratégia de marketing do BMG não o impede de patrocinar também o Cruzeiro. A Raposa recebe R$ 10 milhões anuais, e o Galo embolsa R$ 15 milhões .

O fato de o BMG ajudar times da mesma cidade anima o Brasil-RS, que já recebeu dinheiro do conglomerado e quer que isso ocorra novamente. "Apresentamos um plano para o banco e esperamos resposta. Eles viraram a esperança de quase toda pequena equipe", explica o diretor Paulo Cunha.

Animado com o futebol, Guimarães montou ainda um fundo de investimentos, o Soccer BR1. Os tentáculos da empresa fazem com que os acordos de patrocínio também possam envolver atletas. O Botafogo de Ribeirão Preto não quer somente a renovação do patrocínio (R$ 20 mil mensais). Pretende também contar com vários jogadores do fundo.

"É parceria boa para as partes e gostaríamos de continuar", diz o diretor de marketing do São Paulo, Adalberto Baptista. É do Tricolor o maior contrato do BMG: R$ 25 milhões.

Entrevista
Rafael Plastina_ diretor de marketing da Infomídia
Estratégia do BMG é a da massificação

BOM DIA_ O BMG tem estratégia arrojada de patrocínios no esporte, dando dinheiro para grandes e pequenos times. Isso é normal?
RAFAEL PLASTINA_
Não creio que exista um patrocínio mais ou menos importante. Há várias outras coisas que envolvem o acordo. Existem interesses comerciais, indo além da visibilidade. Relacionamento com consumidor final, parceiros e funcionários. O objetivo é agregar valor à marca institucional e também comercial.

É possível mensurar o retorno que o patrocinador obtém?
O retorno de mídia é o mais fácil de mensurar. É a exposição. Há uma ferramenta que a gente avalia e diz: 'Teve xis milhões de reais de exposição?'. Temos também  um recurso que ano a ano vai medindo o impacto na mente do consumidor.

É essa a estratégia do banco no futebol?
Parece que o BMG tem um produto que fala muito com o povo. Classe C, classe D... É onde o futebol entra muito bem. Eles têm estratégia de massificação da marca. E também fazem política de boa vizinhança com os pequenos clubes.

SAIBA MAIS
Há também dinheiro para outros esportes
Os investimentos do BMG não se resumem ao futebol. Nos últimos dois anos, o banco  também  gasta  com patrocínios na ginástica olímpica (Jade Barbosa), vôlei masculino (São Bernardo, Sada Cruzeiro e Montes Claros), vôlei feminino (São Bernardo e BMG Mackenzie) e automobilismo (as equipes BMG Porsche, BMG Racing e o piloto Ronaldo Freitas).

Patrocinador prefere não comentar o assunto
O BOM DIA pediu à assessoria do BMG uma entrevista com algum representante do banco a fim de  comentar os patrocínios.  A resposta: nenhum funcionário poderia falar no assunto.

Nem mesmo os homens do apito escaparam
O BMG já patrocinou até árbitros.  No ano passado, o banco estampou a sua marca nos uniformes da arbitragem durante os dois jogos das finais do Campeonato Mineiro.




Comente: