Conceito e definição do Bicicross




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Também conhecido como BMX (bycicle moto cross), o bicicross mescla técnicas do motocross e do ciclismo, envolvendo aficionados de 6 a 50 anos ou mesmo além destes limites. As pistas para esta prática, de barro ou terra, formam um circuito fechado com obstáculos que simulam pequenos morros/montes com ondulações variadas e extensões entre 300 a 420m para os campeonatos oficiais . Mas o BMX pode ser praticado também em outros ambientes. No inicio, todas as modalidades deste esporte eram denominadas freestyle mas, com o tempo, foram se diversificando com algumas particularidades (ver mapa).

Origens - Nos anos de 1960 o motocross popularizava-se na Califórnia-EUA e, aos poucos, foi inspirando crianças e jovens que não podiam praticar esta modalidade. Mas, foi nos anos de 1970, buscando novas formas de utilização de suas bikes, que as crianças começaram a imitar os ídolos do motocross, construindo pistas com obstáculos e organizando encontros informais. Assim, nasceu o bicicross, com fortes raízes entre a Califórnia e Nova York. O filme "On Any Sunday", em 1971, promoveu o esporte e acabou conquistando os país dos praticantes que acabaram admirando o lado lúdico do bicicross, conseqüentemente apoiando a sua prática. Visando organizar o crescimento do esporte nos Estados Unidos, foi criada, em 1974, na Flórida, a National Bicycle League-NBL, por George E. Esser. Esta entidade, sem fins lucrativos, inicia a representatividade do bicicross em âmbito mundial e rapidamente conquista outros continentes, chegando a Europa em 1978. Atualmente sediada em Hiliard, Ohio-EUA, a NBL investe na construção de pistas e administração de eventos nos EUA e Canadá, contabilizando 26 mil associados na faixa etária entre 3 e 65 anos, de ambos os sexos, sendo oficialmente filiada à International Cycling Unlon-UCI, com sede na Suíça, que administra o ciclismo mundial desde 1900.

No Brasil, a memória da BMX como esporte começa com a empresa Monark de São Paulo-SP, fabricante de bicicletas. Convidado pela empresa em foco, em 1978, para chefiar a primeira equipe de BMX Racing da América do Sul, Orlando Camacho, atleta de ciclismo com vários títulos, convoca alguns praticantes da modalidade do bairro da Mooca, da cidade de São Paulo, para compor uma equipe. Simultaneamente a empresa lança uma bicicleta especialmente projetada para o esporte, que recebe o nome de BMX. A novidade no mercado imita os modelos das motos de motocross, com tanque, pára-lamas e banco similares. No período de sete meses, o BMX foi divulgado através de exibições com rampas de madeira, nas escolas e praças do estado de São Paulo. Buscando a adesão de novos praticantes, a indústria começa a se desenvolver criando produtos, equipamentos e investindo em equipes. A movimentação no meio incentiva os poderes públicos e privados a implantarem pistas em vários estados brasileiros.

1979 - A Monark inaugura a primeira pista para a prática do BMX Racing da América do Sul, na Marginal Pinheiros-SP. Simultaneamente surge a primeira equipe brasileira formada pelos pilotos Formiga, Meio Kilo, Oklinhos, Niltão, Pedrão e Erwin.

1981 - 1982 - George Esser funda a Federação de BMX Internacional-IBMXF nos EUA, contando com mais seis países representantes (Japão, Holanda, Canadá, Venezuela, Columbia, e Panamá), que passa a sancionar times Internacionais e campeonatos mundiais. O primeiro campeonato mundial foi em 1982, contando com um púbico na ordem de 3000 pessoas.

1962 - O filme ET-O Extraterrestre, fenômeno de público no Brasil e no mundo, impulsiona a aquisição de bicicletas aro 20 e influência fortemente o púbico infantil.

1984 - Eduardo Ramires conquista o Bicampeonato Brasileiro de bicicross (1983/1984).

1988 - Fundação da Federação Paulista de Bicicross, que atualmente é presidida pelo atleta Eduardo Paiva, Oklinhos, um dos pioneiros e referência nacional.

1989 - Fundação da Confederação Brasileira de Bicicross-CBBX, no Rio Grande do Sul, tendo como presidente Nilceu Saito e as Federações dos Estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais como entidades Fundadoras.

Década de 1980 - Com o desenvolvimento do mountain bike no Brasil, o bicicross sofreu uma queda de público, pois alguns atletas migraram para aquela modalidade . A indústria nacional de equipamentos diversificou a produção para atender aos dois segmentos.

1991 - O Campeonato Latino Americano de BMX, realizado em Jaraguá do Sul-SC, contou com a participação de 340 pilotos.

1992 - Realização do primeiro Campeonato Mundial de Bicicross no Brasil, em Salvador-Bahia.

1993 - Francisco Echeverry Silveira, assume a presidência da CBBX.

1995 - Fundação do Campos do Jordão Bike Clube-SP, que formou a primeira equipe de pilotos denominada "SP-50", filiada à Federação de São Paulo. Cristina Krindges conquista o o tricampeonato mundial de bicicross (1992/93/95).

1996 - Acontece o Campeonato Sul Americano em São Leopoldo-RS. Vitor Plentz muda-se para os Estados Unidos a fim de se aperfeiçoar no esporte. Atualmente, este atleta detém vários títulos e se tornou um ícone da modalidade.

2000 - No Campeonato Mundial, realizado em Córdoba-Argentina, a delegação brasileira foi representada por 113 atletas, sendo 51 representantes da delegação do estado São Paulo. A atleta Mayara Peres destaca-se neste evento. No Pan-Americano realizado em Sorocaba-SP, vários atletas brasileiros subiram ao pódio. Angelo Bragagnoli Neto (SP), vice-campeão mundial da American Bicicross Association-ABA e campeão norte-americano pela Liga Norte-Americana de Bicicross-NBL, conquista sua primeira vitória como biker profissional nos Estados Unidos ao vencer o Quaker State National, realizado no Estado da Pensilvânia.

2001 - A FBMX-RJ promove o Primeiro Campeonato Brasileiro de Lake Jump, na Barra da Tijuca-RJ, com participação de 40 atletas. Jaraguá do Sul/SC sedia o Campeonato Sul Americano. Pirapora-MG realiza duas etapas finais do Campeonato Brasileiro envolvendo 300 pilotos dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Paraíba, Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Espírito Santo e Minas Gerais. Flavia Sgobin e Deivlim Balthazar constituíram os destaque da competição.

2002 - No Campeonato Mundial de Bicicross, realizado em Paulínia-SP, o Brasil ficou em terceiro lugar, título inédito para o país. Este evento reuniu 1002 pilotos de 24 paises em 38 categorias e um público na ordem de 12 mil pessoas, em três dias. Além de Wellington Nelsen e Bianca Chinallia, que conquistaram o título mundial nesta competição, o Brasil conquistou mais 3 vice-campeonatos. Mat Hoffman, ícone do esporte, lança nos EUA sua biografia "The Ride of My Life". Marcos Paulo de Jesus o "Pig" (SP), piloto de flat, conquistou o 1º lugar na etapa do Latin X Games (RJ) na categoria street. Pig, foi o primeiro brasileiro a se qualificar para o X Games, realizado anualmente nos EUA. Nesta mesma etapa, Samuei Shinogaki (SP) foi campeão na modalidade park e Ednilson Rodrigues "Pardal" (SP) no vert. Vanderlei Júnior, o”Juca Favela”, ícone nacional do bike vertical, se classifica para a final do vert e do park. Na Alemanha, Ednilson Rodrigues, vence na modalidade vert. Na etapa do Campeonato Brasileiro, realizada na Pista de Ponta Negra-RN participaram 120 pilotos e Fernando Silveira venceu duas categorias: Elite Cruiser e Elite Man. No Rio Grande do Sul acontece a Action Fair, Feira de Esportes e Turismo de Aventura. Para este evento foi construída uma pista de areia e barro vermelho no Pavilhão da Fenac, em Novo Hamburgo, onde Vitor Plentz, 8º no ranking mundial de bicicross, fez exibições de manobras freestyle.

2003 - O Brasil toma-se campeão mundial de bicicross na categoria equipes patrocinadas: a Petrobrás, de Paulínia-SP, conquista o título inédito para o País, em Perth, na Austrália. Este Mundial reuniu 1413 pilotos de 28 países em 38 categorias. Na etapa do Latin X Games (RJ) não houve brasileiros classificados entre os 10 primeiros na provas de palic. Juca Favela fica em 10º lugar no vert e Pig em 5º no flat. Joyce Moretti é a atual líder na categoria elite no ranking brasileiro. Funda-se neste ano a ABMX-Associação Brasileira de Bicicross.


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Situação atual

Como particularidade, além de ser esporte olímpico, o bicicross pode ser considerado um dos esportes radicais que mais agrega o envolvimento familiar. Muito praticado por crianças a partir dos 5 anos, seja como alto rendimento ou lazer, os pais acabam participando ativamente, alguns até mesmo disputando competições. Ressaltando-se a grande representatividade internacional, Francisco Fernando Etcheverry Silveira ocupa atualmente a presidência da Confederação Pan-Americana de Bicicross-COPABI, órgão que lidera o BMX em toda a América. Com um calendário de eventos fixos, a CBBX promove o desenvolvimento do esporte em vários estados através dos campeonatos Brasileiro, Copa Brasil, Sul Brasileiro, Copa Metalciclo, etapas do Campeonato Mundial, Pan-Americano, Sul Americano e Latino.

Atualmente, a UCI reconhece 43 Federações no nível mundial, com previsão de mais 10 Federações. Sendo mais popular nos EUA, Europa e Austrália, a UCI vem apresentando crescente avanço na América do Sul. Quanto ao número de praticantes no mundo, a entidade estima haver 60000 competidores cadastrados. Particularmente nos EUA há aproximadamente 35000 competidores filiados à UCI, e mais 40000 que competem pela ABA, uma organização comercial não filiada a UCI. No Brasil, em seu quadro de atletas federados, a CBBX conta com 1150 integrantes e estima em 5000 o número de praticantes no país, sendo apenas 10% do sexo feminino. No nível de alto rendimento com representação internacional, esta entidade ressalta 50 títulos em eventos oficiais. Coroando o estágio atual, o Comitê Olímpico Internacional reconhece o esporte como modalidade olímpica, com estréia programada para os Jogos Olímpicos de Beijin, em 2008. Segundo dados da UCI, desde o anúncio deste acontecimento, os pedidos de credenciamento da mídia para os campeonatos mundiais aumentou consideravelmente. Embora o Estado do Rio de Janeiro não apresente representatividade neste esporte devido a falta de infra-estrutura, a realização das etapas do Latin X Games neste estado mobiliza atletas nacionais e internacionais, atraindo um grande público e, conseqüentemente, a mídia de massa o que contribui para a popularização do esporte.

Fontes - Confederação Brasileira de Bicicross; Comisión panamericana de Blcicross; www.copabi.org; www.redeglobo.globo.com/xgames; www.fpbx.com.br; www.tribunadonorte.com.br; www.hiperesporte.hpg.ig.com.br; www.fgc.com.br; www.bikemagazine.com.br; www.vilas-boasconsultoria.com.br/esporte/biclcross; www.atiradores.com.br/bicross/mundial.htm; www.nossoscampaoes.com.br; www.2.uol.com.br; www.impactbike.com.br; www.bmx4u.com.br; Eduardo Campos - Oklinhos; www.revistabicycle.com.br.

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