Como é feito o capacete de Formula 1




A peça, atualmente, tem vários pré-requisitos para ser considerada em condições de uso na Fórmula 1. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) exige que eles passem por testes de impacto antes de serem aprovados, além de resistir a perfurações e trabalhar em harmonia com o Hans (Head And Neck Support - Suporte para Cabeça e Pescoço, em português), que minimiza lesões no pescoço em caso de acidentes.

Após a morte de Ayrton Senna no GP de San Marino de 1994, quando a barra da suspensão perfurou a cabeça do piloto pelo espaço para ventilação, os capacetes foram muito aperfeiçoados em uma das frentes organizadas pela FIA para reduzir o risco nos acidentes. Atualmente, eles têm até o kevlar, material usado nos coletes à prova de balas, na composição de uma das camadas. A cabeça é uma das áreas mais vulneráveis do piloto, junto com o pescoço e os braços. Um dos itens mais importantes do capacete é a flexibilidade, para absorver a força de impactos muito fortes.

Os capacetes homologados para a Fórmula 1 pesam entre 1,250 e 1,8 quilos. Eles são projetados com preocupações não só de segurança, mas também aerodinâmica. A ventilação para a cabeça do piloto precisa ter vários filtros, para impedir que pequenos detritos sejam transferidos para o interior. Outra preocupação é o isolamento acústico, para permitir a comunicação por rádio com os engenheiros nos boxes. A viseira tem três milímetros de espessura, em média, é resistente ao fogo e muito resistente. Ela é feita de policarbonato.

 Durante a produção do capacete, 120 camadas de fibra de carbono são coladas juntas. Após isso, o capacete vai para o autoclave, um forno industrial, onde elas são soldadas e endurecidas a uma temperatura constante de 132ºC. Partes sujeitas a forças extremas são reforçadas com alumínio e titânio. O interior é feito de duas camadas de Nomex, um tecido antichama.

Antes da FIA aprovar um capacete, ele passa por uma série de testes de impacto. Durante o "teste de penetração", um objeto de metal pontiagudo, de 3 kg, é derrubado de uma altura de três metros sobre a superfície do capacete, que deve permanecer íntegro. Submetida a um peso de 38 kg, a presilha não pode alargar mais de 30 milímetros. O visor é bombardeado com projéteis viajando a aproximadamente 500km/h e os pontos de impacto não podem ser mais profundos que 2,5 milímetros. Por último, o capacete é submetido a uma chama de 800°C por 45 segundos. A temperatura interior não pode passar de 70°C.

http://www.mecanicaonline.com.br/2009/7+julho/3+engenharia/capa_f1_capacete/capacete_massa.jpg

Proteção e segurança - e também uma questão de conforto O capacete protege o piloto não apenas em acidentes, ele também os evita. Para essa finalidade, os capacetes têm um colarinho acústico especial, que mantém os ruídos que induzem ao estresse no mais baixo nível possível. Os ruídos do motor chegam aos ouvidos do piloto abafados para menos de 100 decibéis, mesmo que logo atrás de sua cabeça um motor de 8 cilindros ronque a 19.000 rpm.

Por conta das enormes forças inerciais, o peso também tem um extraordinário papel. Apenas aplicando-se os freios, os músculos do pescoço do piloto são expostos a forças gravitacionais seis vezes mais intensas que a normal (uma força de 6 Gs), ao menos por um momento. O fecho de titânio da tira do queixo pesa 6 gramas menos que uma fivela de aço, e isto representa alívio significativo para o piloto durante o transcurso de uma corrida. A proteção ocular consiste de um painel de policarbonato de 4 milímetros de espessura, resistente a impactos, capaz de parar uma partícula que o atinja a 500 km/h. Em 2008, os engenheiros da Schuberth equiparam seus pilotos com um visor que podia ser aquecido se desejado, o que era uma característica totalmente nova na época; e que atraiu o interesse de outros pilotos da Fórmula 1 depois da terrível corrida de Silverstone, debaixo de chuva.

Fonte: Mecanica Online



Comente: