Entenda o erro de Lyoto Machida no UFC




A notícia que mais repercutiu no mundo do MMA na última quinta-feira (14) foi a divulgação, por parte do chefão do UFC Dana White, de que o brasileiro Lyoto Machida teria pedido o mesmo salário de Anderson Silva para enfrentar o americano Rashad Evans no UFC 133, no próximo dia 6 de agosto.

Sobre o caso, é importante entender a situação de Lyoto, que se viu com uma carta na manga, afinal, o evento precisava, e muito, de um oponente para Evans. Precisava, já que Tito Ortiz assumiu o corner que estava vazio.

Não é de hoje que o UFC passa por apuros como este, quando um atleta que fará parte da luta principal se machuca as vésperas do combate. E, aproveitando o desespero dos promotores, é comum que os atletas selecionados para "tapar o buraco" em cima da hora peçam algo em troca como aumento salarial, ou chance por cinturão.

Isso ficou claro quando Dana White afirmou que, se Ortiz vencer, o americano estará próximo de lutar pelo cinturão. Óbvio que houve uma negociação, afinal, o nome do atleta também está em jogo ao se arriscar contra um top com apenas três semanas para bater o peso da categoria (93 kg) e realizar treinos específicos em cima do jogo do oponente.

Mas toda a conversa deve ser feita com cautela. Analisando a forma como Lyoto teria lidado com a situação, nas palavras de Dana White, foi um exagero pedir o mesmo que Anderson Silva, afinal, o Spider é o recordista em número de vitórias seguidas no evento e recordista em defesas seguidas do cinturão de uma categoria.

Não tem como pedir o mesmo sem ter feito algo parecido. Machida foi campeão dos meio-pesados (93 kg), posto que defendeu com sucesso apenas uma vez para, logo depois, sair do octógono derrotado em duas oportunidades seguidas. Um nocaute sobre o quase cinquentão Randy Couture não o colocou, de forma alguma, sequer próximo à popularidade de Anderson.

Quanto "vale" um lutador?

E, por falar em popularidade, é importante entender o quanto "vale" um lutador e o quanto ele "pode" pedir de salário. A conta não é tão simples, além de ser subjetiva.

O atleta recebe, obviamente, de acordo com o que ele gera de receita para o evento em uma fórmula não oficial baseada em três pilares: popularidade, posição atual no ranking do evento e seu histórico no UFC.

O reflexo disso tudo gera, digamos, três "fontes de renda" ao lutador: uma espécie de salário fixo por cada luta, de acordo com o ranking + um bônus por vitória, que pode crescer de acordo com o histórico no evento + participação na venda de pay-per-views, que é medido pela sua popularidade, ou seja, quanto mais popular o atleta, mais pacotes de televisão são vendidos.

Parece complicado?

Vejamos o caso de Anderson Silva. Seu ranking elevado, o fato de ser campeão, lhe garante um salário fixo alto, algo em torno de R$ 400 mil. Seu bônus por vitória é o mais alto do evento, já que nunca perdeu no UFC e cada novo triunfo significa um aumento no seu recorde. E, por último, sua popularidade é alta, justamente pelos seus recordes.

Tudo somado representa, nas palavras de Dana White, alguns milhões de dólares por luta e o segundo maior montante da entidade, atrás apenas do campeão dos meio-médios (77 kg) Georges St. Pierre.

A conta para o canadense é a mesma, e conta a seu favor a elevada popularidade, já que participou como treinador do TUF (The Ultimate Fighter), reality show do UFC, e se comunica bem melhor com seus fãs, já que sabe falar inglês.

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