Modalidades esportivas: caracteristicas gerais





    Antes de abordar especificamente o basquetebol, serão feitas algumas considerações sobre as modalidades esportivas em geral.

    Segundo DE ROSE JR. & TRICOLI (2005) a classificação de modalidades esportivas mais difundida é aquela que define os esportes como sendo individuais ou coletivos. No entanto, essa classificação é muito simples e não considera aspectos importantes dessas modalidades como as ações entre companheiros de uma mesma equipe e entre os oponentes, ocupação de espaço pelo atleta e a participação dos mesmos. Considerando esses aspectos, HERNANDEZ MORENO (1998) propôs uma classificação que é, atualmente, muito utilizada.

    Nela considera-se o aspecto de cooperação e oposição. A cooperação acontece porque a responsabilidade das ações é dividida entre os membros de uma mesma equipe dando sentido coletivo ao jogo, tanto no ataque quanto na defesa nos esportes coletivos, ou sincronizando essas ações em esportes como ginástica rítmica e patinação artística. A oposição é inerente a qualquer tipo de esporte, não havendo competição sem este aspecto. Ela pode ocorrer com ou sem adversário presente ou exercendo contato direto com seu oponente. Esportes como hipismo, nado sincronizado, saltos ornamentais e ginástica rítmica são exemplos onde há oposição sem a presença do adversário. Nesses casos cada atleta ou equipe realiza seus exercícios isoladamente. Já, na natação e em corridas balizadas no atletismo o adversário está presente, porém não há disputa pelo mesmo espaço. Nos esportes de luta (judô, boxe) e em algumas modalidades esportivas coletivas (handebol e futebol) este fato fica bem evidenciado.

    Outro aspecto considerado por HERNANDEZ MORENO (1998) é a ocupação de espaço pelo atleta. Há esportes que são realizados em espaços separados por ocuparem uma área especifica para a realização de suas próprias ações, sem a interferência de um adversário, como por exemplo, o tênis e o voleibol. Já esportes praticados em espaço comum são caracterizados por ocuparem uma área especifica para a realização das ações com a interferência de um ou mais adversários, como por exemplo, nas lutas e no handebol.

    Finalmente, o último aspecto considerado pelo autor diz respeito à participação do atleta ou da equipe, que pode ser alternada ou simultânea. A participação alternada ocorre quando os atletas ou equipe realizam suas ações sem a interferência dos oponentes. Por exemplo: squash, tênis e voleibol. A participação simultânea ocorre quando os atletas ou equipes realizam suas ações, simultaneamente, em contato direto com os oponentes que tentam neutralizar os movimentos realizados. Por exemplo: caratê, futebol.

    Os fatores apresentados pelo autor podem ser combinados gerando classificações mais complexas. Exemplos:

o tênis é um esporte de oposição onde os atletas ocupam um espaço separado e têm participação alternada;

a ginástica rítmica é um esporte de cooperação onde as atletas ocupam um espaço comum e realizam suas ações simultaneamente, mas sem contato com as oponentes;

o voleibol é um esporte de cooperação e oposição, onde cada equipe ocupa um espaço definido e realiza suas ações alternadamente.

o basquetebol é um esporte de cooperação e oposição, com a ocupação de um mesmo espaço e realização simultânea das ações (defesa vs. ataque).


Lesões esportivas: conceitos e estudos

    ANDREOLI, WAJCHENBERG & PERRONI (2003) definem lesão como sendo um dano causado por traumatismo físico sofrido pelos tecidos do corpo.

    Segundo BUCETA (1996), as lesões esportivas são acidentes de trabalho que são conseqüências das atividades esportivas. Essas lesões devem ser consideradas como eventos prejudiciais por diferentes motivos:

Supõe uma disfunção do organismo que produz dor, restringe as possibilidades de funcionamento e pode aumentar o risco de disfunções maiores;

Levam a interrupção ou limitação da atividade esportiva durante algum tempo ou até permanente;

Levam a interrupção ou limitação das atividades não esportivas como, por exemplo: atividades escolares para quem não é profissional ou outras atividades que, devido à lesão, não poderão realizá-las de nenhuma forma, ou da mesma maneira que antes;

Implicam, em geral, em mudanças na vida pessoal e familiar como conseqüência das restrições que a lesão impõe sobre a pessoa e as novas necessidades que derivam da própria lesão;

A reabilitação requer tempo, esforço, dedicação e, em algumas ocasiões, resistência a dor e também a frustração;

Podem ser acompanhadas de experiências psicológicas que afetam o bem-estar da pessoa lesionada e de todos que estão a sua volta.

    Segundo GANTUS & ASSUMPÇÃO (2002), a prática esportiva eleva o risco da ocorrência de lesões. Os atletas estão sujeitos a sofrerem lesões, seja em fase de treinamento ou em competição. Essas lesões estão diretamente relacionadas a fatores predisponentes intrínsecos e extrínsecos, e à ausência de um programa preventivo.

    CARAZZATO (1993) afirma que a busca pela evidência e pelo sucesso expõe os atletas a uma condição de serem submetidos a um esforço físico e psicológico muito próximo dos limites fisiológicos, fazendo com que o número de lesões seja muito alto.

    Segundo DE ROSE JR. (1999), as lesões são consideradas por atletas de alto nível como uma das maiores fontes de stress esportivo. De 19 atletas olímpicos entrevistados, quatro identificaram as lesões como a principal situação de stress em suas carreiras. Em função delas, esses atletas ficaram inativos por longo tempo, perdendo oportunidades de participarem de eventos como campeonatos mundiais e jogos olímpicos.

    A incidência e a severidade das lesões estão diretamente relacionadas aos seguintes fatores: pessoais modalidades esportivas praticadas e ambientais característicos de cada uma delas (ALLOZA & INGHAM, 2003).

     De acordo com LOPES, KATTAN & COSTA (1993), as lesões esportivas são classificadas quanto a:

Prática esportiva: típicas (freqüentes na pratica esportiva) e atípicas (acidentais);

Fase de ocorrência: de treinamento e de competição.


    Segundo BUCETA (1996), as lesões podem afetar qualquer parte do corpo, observando-se uma vulnerabilidade específica segundo o tipo de movimento corporal exigido para a atividade esportiva que é praticada. Segundo esse autor as lesões podem ser classificadas em cinco níveis diferentes:

Lesões leves: requerem atenção ou tratamento, mas sem interromper a atividade do esportista;

Lesões moderadas: requerem tratamento e limitam a participação do esportista em sua atividade;

Lesões graves: implicam em uma interrupção prolongada da atividade, com hospitalizações freqüentes e intervenções cirúrgicas;

Lesões graves que levam a um grande prejuízo: impedem o esportista de recuperar seu nível de rendimento ou funcionamento prévio, obrigando-o a modificar sua forma de praticar esporte, sendo necessário mudar de atividade, e quase sempre, fazer um trabalho de recuperação permanente para evitar recidiva;

Lesões graves que provocam inatividade permanente: impedem os esportistas de voltarem a praticar atividades com a mesma intensidade que era praticada antes, tendo que fazer reajustes drásticos em sua forma de vida.

    A seguir serão relatados alguns estudos sobre lesões em diferentes modalidades esportivas:


Futebol

    BJORDAL, ARNLY, HANNESTAD & STRAND (1997) afirmam que uma das lesões mais importantes descritas na literatura do futebol é a do ligamento cruzado anterior do joelho (LCA).

    COHEN, ABDALLA, EJNISMAN & AMARO (1997) constataram que no futebol 72% das lesões ocorrem nos membros inferiores principalmente nos tornozelos e joelhos. Este estudo também concluiu que 59% das lesões ocorreram por traumas indiretos.

    LEITE e NETO (2003), fizeram um estudo sobre a incidência de lesões traumato-ortopédicas no futebol de campo feminino e sua relação com alterações posturais. O estudo teve uma amostra de trinta e oito atletas entre 14 e 18 anos por um período de seis meses. Foi observado que a entorse de tornozelo foi o trauma mais freqüente e que todas as atletas lesionadas apresentavam algum tipo de alteração postural como: geno-varo ou valgo, anomalias do pé e assimetria de membros inferiores. Os autores chegaram à conclusão de que um trabalho de Reeducação Postural Global (RPG) se faz necessário para melhorar o rendimento das atletas desta modalidade esportiva.


Handebol

    ALLOZA & INGHAM (2003) realizaram um estudo sobre os principais segmentos corpóreos lesionados no handebol. O estudo concluiu que joelho, tornozelo, mãos e dedos, são os principais locais lesionados, superando o ombro. Este fato merece atenção, pois como o handebol é um esporte que tem como um de seus fundamentos básicos o arremesso, e muitas vezes os atletas fazem o movimento de forma bloqueada, o ombro, surpreendentemente não entra nessa lista de lesões.


Natação

    MARTOS (2001), em seu estudo, mostrou que o "ombro doloroso" é a lesão mais freqüente entre os nadadores, constituindo cerca de 50 a 60% de todas as queixas desses atletas. O autor afirma que a natação é o esporte com maior incidência deste tipo de lesão, que também pode ser chamada de "ombro de nadador".


Voleibol

    Estudos de SCHAFLE, REQUA & PUTTON (1992) e de BRINER & KACMMAR (1997) demonstraram que a entorse de tornozelo é a lesão mais aguda nesse esporte, ela ocorre comumente nas aterrissagens de bloqueio. Já as tendinopatias do complexo femuro-patelar são as lesões crônicas mais comuns no voleibol. Também conhecidas como "joelho de saltador" elas ocorrem em virtude da grande quantidade de saltos realizados nesse esporte. Segundo esses estudos as lesões de ligamento do joelho também ocorrem com muita freqüência. O ombro é a região na qual ocorrem de 8 a 20% das lesões do voleibol. AAGAARD & JORGENSEN (1996), fizeram um estudo que relatou as principais lesões no voleibol de elite dinamarquês. A maioria das lesões ocorreu nos movimentos de cortada e bloqueio. As lesões agudas predominantes ocorreram nos dedos (21%) e nos tornozelos (18%). Já as crônicas ocorreram em joelhos (16%) e ombros (15%).

    Também vale destacar as lesões na coluna lombar (14%) que decorrem, normalmente, da grande quantidade de aterrissagens dos saltos ou do posicionamento do corpo no momento do ataque.

    Após essa breve abordagem sobre as lesões em diferentes modalidades esportivas, passaremos a enfocar o basquetebol que é o principal objeto desse estudo.

Fonte


Comente: