Atletas do Brasil fogem da Vila Olímpica





As iatistas Kahena Kunze e Martine Grael ficarão concentradas na sede do Exército na Urca para escapar do trânsito entre a Vila e a Marina - Daniel Marenco / Agencia O Globo / Agência O Globo

Entre os dias 23 e 26 de maio, o triatleta Diogo Sclebin, único representante masculino do Brasil na prova olímpica, esteve concentrado em um evento-teste diferente: em vez de nadar, pedalar e correr, o foco foi dormir, descansar e comer. Ele estava testando as instalações de onde dormirá por toda a Olimpíada, o hotel Sesc Copacabana, na Rua Domingos Ferreira, a cerca de 1km do local de largada de sua prova.

Junto de Pâmella Oliveira, a triatleta brasileira nos Jogos, Diogo faz parte de um grupo de 39 atletas brasileiros que não ficarão na Vila Olímpica, mas sim em duas bases reservadas pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), espécies de minivilas brasileiras, para deixá-los próximos de onde competirão.

O Sesc hospedará 18 brasileiros: além dos dois triatletas, as equipes de ciclismo de estrada (quatro atletas), e de maratona aquática (três), de provas disputadas em Copacabana; e os times de remo (quatro) e de canoagem de velocidade (cinco), que correm na Lagoa. Já as equipes de vela (15 velejadores) e vôlei de praia (seis jogadores) ficarão na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, a meio caminho da Marina da Glória e da Arena na Praia de Copacabana.

— Se quisermos, poderemos ir a pé para a prova. Dormi lá três dias para conhecer o quarto, a alimentação, as instalações. Para nossa performance, vai ser tudo importante. À noite, saímos para percorrer o circuito da corrida e do ciclismo, entre Copacabana e a Lagoa — diz Sclebin. — Não vamos ter restaurante 24 horas nem aquela variedade enorme de comida da Vila Olímpica. Estar na Vila é expressivo para a vivência olímpica do atleta, mas mais importante é a boa preparação.

Diogo Sclebin e os demais 38 atletas "exilados" no Rio não precisam se preocupar neste aspecto. O planejamento prevê que cada um, assim que terminar de competir nos Jogos, terá direito a dormir uma ou duas noites na Vila e aproveitar, já sem a pressão da competição, o que está sendo chamado de Disneylândia olímpica: o restaurante 24h, as áreas de confraternização, a convivência com milhares de atletas estrangeiros.

A operação logística tem a vantagem óbvia de fugir do trânsito carioca e os longos deslocamentos desde a Vila, em Jacarepaguá, especialmente para modalidades cujas provas são bem cedo. Mas há outros fatores que puderam ser aproveitados pelo fato de o Brasil ser o anfitrião.

— Lá na Urca, a gente vai ter a companhia de muito mais gente da nossa comissão técnica do que poderíamos ter na Vila, onde seriam só duas pessoas — acrescenta Pedro Solberg, cuja dupla com Evandro foi campeã da etapa de Gstaad do circuito mundial de vôlei de praia na última semana e chega aos Jogos com favoritismo para o pódio.

CONCENTRAÇÃO NA URCA

Os dois terão a companhia na Urca das duas duplas femininas do vôlei de praia (Larissa e Talita e Ágatha e Bárbara), enquanto a outra dupla masculina (Alisson e Bruno Schmidt) preferiu dormir a maior parte dos dias na Vila. Outros vizinhos de Solberg na sede do Exército serão os 15 velejadores brasileira. Com vela e vôlei de praia, a expectativa é que da Urca saiam algumas medalhas brasileiras.

— Vai ser legal ter essa convivência com eles, seremos só brasileiros ali. Durante o evento-teste da vela, nós ficamos dormindo lá, como será nos Jogos, e aprovamos o esquema. Teremos mais tranquilidade, pouca gente, sem acesso de mídia — diz Kahena Kunze, que forma com Martine Grael a maior esperança de ouro do Brasil nas águas da Baía de Guanabara, na classe 49er.

Além das equipes concentradas na Urca e em Copacabana, a programação do COB inclui centros de treinamentos exclusivos, fora da lista oficial dos Jogos, para atletas que estarão na Vila Olímpica. As seleções de vôlei vão treinar no colégio CEC, em Jacarepaguá, perto da Vila. Lá, poderão escolher seus horários, sem depender da programação da quadra do Maracanãzinho, e terão mais espaço para as comissões técnicas.

Outro colégio no bairro, o QI, está reservado para o time braileiro da esgrima. Tiro Esportivo, Nado Sincronizado e Polo Aquático treinarão na Escola Naval.

— Ganhar duas horas por dia para um atleta, como poderia ser o caso da vela no deslocamento Vila-Marina, é um impacto enorme — resume Gustavo Harada, gerente de Jogos do COB e responsável pela logística da delegação brasileira.